Já parou para pensar sobre o que te faz feliz no trabalho? Talvez seja a hora de investigar e fugir da armadilha de desejar e nunca conseguir o seu “emprego dos sonhos”.

Estou em transição de carreira há mais ou menos 1 mês. Pedi o desligamento após dias de pressão e noites de insônia. Fiquei na empresa por 10 anos; e nos últimos dias já me perguntava por onde andava a paixão que me colocava de pé todas as manhãs.

Tenho certeza que não sou a única. Uma busca despretensiosa no Google sobre “felicidade no trabalho” retornou 123.000 resultados. O primeiro artigo intitulava-se “Felicidade no trabalho é possível e está associada à qualidade de vida”. É possível mesmo?

Penso que a satisfação se tornou o nirvana dos profissionais atuais. Os budistas buscam o estado máximo de paz e tranquilidade espiritual alcançado pela sabedoria. Nós da classe trabalhadora miramos “o emprego dos sonhos”. Como encontrá-lo é o “x” da questão.

Como é o seu trabalho dos sonhos?

Acontece que hoje pouquíssimos refletem sobre o que os faz (ou os faria) felizes no trabalho. As contas a pagar e a crise econômica não dão espaço. Totalmente compreensível. Só que quem não pensa vira escravo de mitos e falsas crenças.

Há profissionais, por exemplo, que acham que a satisfação na carreira depende de fazer o que se ama. “Por mais que você adore o seu trabalho, existem outros fatores nessa equação como grau de qualificação, competências (…) e mesmo sorte”, diz artigo da Você S/A.

Eu adorava o que fazia. Estava feliz na posição que ocupava. Não bastou. O ambiente e o modelo de gestão me deixaram insatisfeita, e o casamento se desgastou por incompatibilidade de gênios. Eu queria uma coisa e a empresa outra.

Hoje entendo que a relação de trabalho (como qualquer uma) é uma via de mão de dupla. Funciona na base do ganha-ganha: as minhas motivações e as da empresa precisam ser mutuamente atendidas.

Mas o que te faz levantar da cama e ir para o trabalho?

Edgar Schein, especialista em desenvolvimento organizacional, explica as motivações de carreira com o conceito de “âncoras”. Ele as batizou assim porque são fatores-base que nos “puxam” quando nos desviamos da rota.

Há quem prefira chamá-los de “direcionadores” por serem valores que mais nos atraem. Nomenclaturas à parte, trata-se de uma combinação do que você prefere fazer com os valores dos quais não abre mão sob nenhuma condição.

Falando o português claro, quer dizer que escolher um emprego apenas pelo que se faz bem ou se gosta de fazer é furada. Suponhamos que você seja um funcionário notívago. Seu pico de produtividade ocorre após às 18h. Imagina a frustração de estar em um empregador legalista. Você tolerará por um tempo, mas ficará desmotivado na primeira bronca por não cumprir corretamente a jornada de trabalho.

Como conhecer suas âncoras de carreira pode te ajudar

São 8 âncoras de carreira:

  1. Desafio puro: gosto pelos problemas complexos e de difícil resolução
  2. Estilo de vida: busca do equilíbrio vida-carreira-família
  3. Dedicação a causa: desejo de servir a um bem maior
  4. Segurança e estabilidade: necessidade de prever, planejar e controlar
  5. Criatividade empresarial: valor à criação e proposição de novas ideias
  6. Autonomia e independência: liberdade de fazer como e quando quiser
  7. Competência técnica e funcional: reconhecimento pelo domínio e conhecimento
  8. Competência administrativa: reconhecimento pela capacidade analítica e de relacionamento interpessoal

Todas estão em nós, mas algumas ganham relevância conforme o momento de vida. Para saber quais são as suas, há um teste SRP (simples, rápido e possível).

Fiz o meu e deu para perceber que há certa sinergia com os rumos que desejo dar à minha carreira. Já valeu por isso. Mas também ajudou a rever as decisões que já tomei e os cuidados que preciso tomar nas minhas próximas escolhas. Algo importantíssimo para o meu momento.

Convido você a realizar o teste também e, no mínimo, usar o resultado para bater um papo interessante consigo ou alguém bacana. Não faz mal aumentar seu autoconhecimento.

Quem sabe você não descobre quais as questões que mais te incomodam na sua carreira hoje? Ou melhor, que está mais perto de atingir seu nirvana profissional do que imagina? Quem sabe?

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